11/10/09

Alvor ígneo


Os punhos em riste comemoravam o troféu com a força de seus princípios. O riso que escapolia dava certeza de tudo. Altercava consigo a fragilidade do ser que rasteja misericórdia a sua vista. O que não podia? Simplesmente não lembrava. Liberdade plena como aquela teve preço, não grande, na medida da pequenez dos outros. Derrotou o dever ser e sobrou em si razão absoluta que não se podia contestar ou existir. Depois de moer a carne e os ossos com as próprias mãos, empunhou o pequeno galão de querosene, riu das súplicas rubras do infeliz e despejou o fluido nas feridas, eram suaves notas aquela lancinante dor. Desferiu-lhe na face um último chute, por puro prazer estético. Afastou-se a distância certa do deleite e acendeu o rastro. Agora o show ganhava o bailarino que evoluía a mais sincera coreografia ao compasso do crepitar da derme, contorcia fogo em piruetas, fazia do corpo combustível para a dança, queimava a alma pelo público, entoava o mais doído réquiem e quando se entregou ao chão em último ato, fez marejar os olhos do autor. Impávido apreciava as luzes jorrantes das delicadas últimas chamas que iluminavam a rua úmida como uma mágica mini-galáxia. O calor leve que acariciava a pele o fazia aspirar a poesia das fumegantes brisas noturnas disseminadas por todos tolos amantes. Depois do balé sentiu ineditamente a licença e satisfação de todas as vidas que sempre lhe foram suas, saiu a coletá-las em oferenda à sanidade. Beijou a alvorada e partiu com um imenso riso de completude no rosto.

28/09/09

10ª Feira de HQ pt 03

E este:

Sobre Nuvens e Sombras - Nanquin e aquarela sobre papel vagabundo, baseado em fatos reais, este trabalho foi o grande vencedor do troféu Himpocampo da 10ª Feira de Quadrinhos.



1° Lugar - Melhor história em quadrinhos

10ª Feira de HQ pt 02

Este:

Restos e Retrato - Desenho minimalista a lápis, arte-final e colorização digital.

10ª Feira de HQ pt 01


Neste ano tivemos aqui em Teresina a 10ª Edição da Feira de Quadrinhos do Piauí realizada pelo Núcleo de Quadrinhos.

A 10ª Feira foi sucesso de pública e crítica, e eu participei com três trabalhos:

Com ás na manga - Piadinha sem-vergonha baseada em fatos reais, todo produzido com vetores no Corel Draw, desenhado ponto a ponto com mouse.

04/09/09

Atlas

14/08/09

25/07/09

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08/07/09

Réstias


"Só as barras amargas contêm a doçura da insanidade."

Últimos retratos



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03/07/09

Revista Trimera


Apresento-lhes a revista Trimera.

Esta é a número 03, as outras duas podem ser apreciadas no site da própria: Revista Trimera.
Ela está à venda nas bancas de revistas de toda grande Teresina e algumas do interior do Piauí, apenas R$ 3,00 reais.

Espero que apreciem!!

31/05/09

Dia de frio e de abraço

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Os sapatos ganhara dum sábio senil, um errante que grasnava erudição entre tragos, e que há anos o impressionara com palavras belas onde ele achava sentido e perdia o tento. As calças granjeou do Doutor, ilustre de porte altivo e elegância impecável, de carisma nos olhos e sorriso galante, mais rico e fino homem que conhecera e no qual imprimiu seu almejo. A camisa azul foi herança do pai, lavrador pobre, mas de rígida ética e valores inestimáveis dos quais era impossível olvidar, estavam em tudo, do acordar ao dormir; foi fiel ao vício até o fim do fígado, deixou ao filho sina inteira, duas mudas de roupa e um relógio de plástico que ganhara no jogo.

Vestia respeito abotoado com zelo, fineza engomada com sonho e calçava poesia lustrada em lágrimas. Rezou ao relógio no oratório, pediu benção à velha mãe, cruzou a mão direita no peito em sinal de fé e partiu.

Pouco estudou e cedo o pai percebera que a labuta não lhe fazia jus, que ao filho fora delegado apenas o dom de sonhar. Todo dia antes do bar, punha o menino à porta, a estudar a gente, a prescrever futuros. Quando só a mãe lhe restou, decidiu que lhe era pequeno o passeio, que o mundo carecia da diligência que o pai o ensinara e de toda a devoção que a mãe o exigira. E todos os dias saía antes do sol, munido de sorriso e perseverança.

Buscava em todo o gentio respostas, olhava-os, escrutava-os, lhes sorria e ninguém o notava. Às vezes lhes ensaiava um cumprimento e quando correspondido o peito enchia e os olhos brilhavam. Vagava as ruas à procura do significado que a mente hígida nunca entendera. Buscava em cada coche um amor sentado à janela pronto a responder seus acenos desesperados, sempre com o ingênuo riso de estampa.

Hoje havia ganhado o dia, já arrecadara três meneios e cinco sorrisos, um a mais que ontem. Mas hoje fazia frio, relampejava sem nuvem e ele completava vinte anos de puro existir. Resolveu que encontraria enfim um amigo; ouviria uma pergunta qualquer; que falaria a alguém que fingisse se importar; que as pessoas eram por demais tristes e que abraços eram bálsamo. Estendeu os braços tão largos quanto o sorriso aos primeiros passos no canteiro. E por dezenove intentos contados fora rechaçado.

Os olhos lacrimavam a dúvida da sina que a calçada um dia mostrou. O trovão o chamou de volta, o relâmpago mostrou o caminho, na porta, a velha mãe lhe deu um longo abraço de presente.

Hoje havia ganhado o dia, arrecadara cinco sorrisos, um a mais que ontem; e um abraço, um a mais que a vida inteira.



Publicado originalmente na revista Trimera n°. 2
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25/05/09

Coisas que sei, sem saber como.

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São coisas que eu sei pelo simples fato de lembrar, sem saber ao certo se ouvi ou li ou inventei. De certo são coisas que eu tenho que dizer, temo que se afundem na memória e não consiga resgatar, pois não tenho fôlego.

São os conselhos como ameaças e superstições como verdades, que se me agregaram o couro como tecido - neurônico - morto, e que toda noite se desprendem no travesseiro como sonho em pó, que compartilho aqui antes que meu espirro disperse tudo.


Antes Semana Santa, hoje: Especial das mães!


- Andar pra trás agoura a mãe.

- Vestir roupa ao avesso também.

- Quem deixa o chinelo emborcado a mãe morre.

- Cortar as unhas à noite também.

- Se apontar os dois lados do lápis, cresce, na mãe, outra cabeça.

- Quando a barata tá nos espasmos de morte, ela fica xingando sua mãe.

- O rabo da labigó, quando quebrado, também.



Lembra mais? Coloca no comentário.

15/05/09

Errante

29/04/09

Fandango Suicida

10/04/09

Semana Santa!

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Aprendi moleque ainda, minha vó dizia:

-Tem que fazer jejum, mas se tiver que comer, não pode comer carne;

-Não pode banhar, mas tiver que banhar-se não pode molhar a cabeça, mas se tiver que molhar a cabeça, não pode molhar a croa!

- Não pode pegar em dinheiro na sexta-feira-santa;

- Não pode xingar, brigar, nem cortar o cabelo;

- Sábado de Aleluia é dia de roubar galinha e malhar o Judas.

Amém!

05/03/09

Meme

Meme é o nome dado a menor unidade de informação do cérebro (gene de memória: meme).

Também é usado para definir uma informação que se autopropaga de cerébro em cerébro através de diversos meios de informação (blogs por exemplo).

Seguindo a lógica do "meme", vou propagar 6 coisas minhas e indicar 6 pessoas para continuar essa a reverberação.

Por maios que se pareça uma simples corrente, achei essa divertida.




Coisas:

1 - Meu olho esquerdo é 1 milímetro mais próximo ao nariz que o direito;

2 - Não conheço metade das pessoas que me conhecem e tenho contato com menos da metade das pessoas que conheço e costumo conversar com apenas um quarto destas.

3 - Sou imortal até que me provem o contrário.

4 - Meus braços são tão tortos quanto minhas pernas, pés e nariz.

5 - Se eu abro um pacote de biscoito como até o fim.

6 - O carro que eu ando às vezes cria consciência e ele não gosta de mim.

7 - Tenho vários cães e um deles é um lobisomem que todo dia se transforma só para desligar a energia da casa.

8 - Acumulo informações de livros e coisas que nunca li.

9 - Eu pareço com todo mundo.

10 - Tenho pouca capacidade de concisão e sempre quebro correntes...

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(editado)

Bom, atendendo à pressão, indico:

23 do 3
Vai te a porra!
e quem mais quiser participar...

Viva a memética!

03/03/09

Pulsava

15/02/09

Quartilhos

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- Que foi?

- Nada. Só ..acordei de mau amor.
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29/01/09

Ébrio